Por que as mudanças afetam tanto as crianças?
A criança constrói seu equilíbrio emocional a partir da previsibilidade: horários, lugares conhecidos e pessoas de referência. Quando algo muda, é natural que surjam sentimentos como medo, tristeza, confusão ou até comportamentos regressivos, como voltar a fazer xixi na cama ou ficar mais irritada. Essas reações não são “manha”, mas sinais de que ela está tentando entender e se ajustar ao novo cenário.
A importância de conversar com clareza
Um dos primeiros passos é conversar com a criança de forma honesta e adequada à idade dela. Evitar o assunto ou usar explicações confusas pode aumentar a insegurança. Falar com calma, usando exemplos simples, ajuda a criança a compreender o que vai acontecer e por quê. Também é importante deixar claro que os sentimentos dela são válidos e que ela pode expressá-los sem medo.
Antecipar o que vai mudar (e o que vai permanecer)
Sempre que possível, prepare a criança com antecedência. Explique como será a nova escola, quem continuará fazendo parte da rotina e o que permanecerá igual, como hábitos familiares ou momentos juntos. Saber que nem tudo vai mudar ajuda a reduzir a ansiedade e traz uma sensação de continuidade.
Envolver a criança no processo
Dar pequenas escolhas à criança fortalece o sentimento de controle. Deixar que ela escolha o material escolar, ajude a arrumar a nova casa ou decida como decorar o quarto são atitudes simples, mas que fazem com que ela se sinta parte da mudança, e não apenas alguém que está sendo levada por ela.
Manter uma rotina sempre que possível
Mesmo em períodos de transição, manter horários para dormir, se alimentar e brincar traz segurança emocional. A rotina funciona como um “porto seguro” em meio às novidades e ajuda a criança a se organizar emocionalmente.
Observar e acolher as reações
Cada criança reage de um jeito. Algumas falam bastante sobre o que sentem; outras demonstram por meio do comportamento. Mudanças no sono, no apetite ou no desempenho escolar merecem atenção. Nesses momentos, o acolhimento é fundamental. Demonstrar paciência, escutar sem julgar e oferecer apoio fortalece o vínculo e ajuda a criança a atravessar essa fase.
Quando buscar ajuda profissional?
Se os sinais de sofrimento forem intensos, persistentes ou interferirem de forma significativa na vida da criança, buscar a orientação de um psicólogo infantil pode ser muito positivo. O profissional ajuda a criança a compreender seus sentimentos e oferece estratégias para lidar melhor com as mudanças.
Conclusão
Preparar a criança para lidar com mudanças não significa eliminar o desconforto, mas oferecer suporte emocional para que ela se sinta segura durante o processo. Com diálogo, acolhimento, rotina e participação ativa, a mudança pode se transformar em uma oportunidade de crescimento, fortalecendo a autoestima e a capacidade de adaptação da criança ao longo da vida.
