Luto na infância: como ajudar uma criança a lidar com perdas

O luto na infância é uma experiência delicada e, muitas vezes, silenciosa. A perda de alguém significativo — como um familiar, um amigo, um animal de estimação ou até mudanças importantes, como separações e mudanças de casa — pode gerar confusão, tristeza, medo e insegurança na criança. Diferente dos adultos, a criança nem sempre consegue expressar esse sofrimento em palavras, manifestando-o por meio do comportamento, do corpo ou das emoções.

Cada criança vive o luto de maneira única, de acordo com sua idade, nível de desenvolvimento emocional e com o apoio que recebe do ambiente ao seu redor. Algumas podem demonstrar tristeza intensa, choro frequente ou regressões, como voltar a comportamentos já superados. Outras podem parecer indiferentes em certos momentos, alternando períodos de brincadeira com sinais de sofrimento. Essas reações fazem parte do processo e não significam falta de sentimento.

A importância da verdade e da clareza
É fundamental falar com a criança de forma honesta, usando uma linguagem simples e adequada à sua idade. Evitar explicações confusas ou fantasiosas ajuda a reduzir medos e interpretações equivocadas. A criança precisa entender que a perda aconteceu, sem ser exposta a detalhes desnecessários ou assustadores.

Acolher e validar os sentimentos
Permitir que a criança sinta e expresse suas emoções é essencial. Frases como “não chore” ou “seja forte” podem fazer com que ela se sinta incompreendida. O mais importante é mostrar que tristeza, saudade, raiva ou confusão são sentimentos normais diante de uma perda e que ela não está sozinha.

Manter rotinas e oferecer segurança
Em momentos de luto, a rotina funciona como um ponto de estabilidade. Manter horários, hábitos e referências ajuda a criança a se sentir segura em meio às mudanças emocionais. Ao mesmo tempo, é importante estar mais disponível emocionalmente, oferecendo presença, escuta e carinho.

Usar o brincar como forma de expressão
Muitas crianças expressam o luto por meio do brincar, do desenho ou das histórias. Essas formas de expressão devem ser respeitadas e observadas com atenção, pois ajudam a criança a elaborar sentimentos que ainda não consegue verbalizar.

Buscar ajuda quando necessário
Se o sofrimento for intenso, persistente ou começar a interferir significativamente no dia a dia da criança — como no sono, na alimentação ou nas relações —, buscar o apoio de um profissional é um passo importante. Isso não significa fraqueza, mas cuidado.

Ajudar uma criança a lidar com o luto é um processo que exige paciência, sensibilidade e presença emocional. Quando a criança se sente acolhida, ouvida e segura, ela consegue atravessar a dor da perda de forma mais saudável, construindo recursos emocionais importantes para toda a vida.