A comparação entre irmãos ou entre colegas é uma prática que, muitas vezes, acontece de forma automática e até bem-intencionada, mas que pode ter efeitos profundos na autoestima infantil. Quando adultos ou mesmo outras crianças usam expressões como “Olha como seu irmão faz melhor” ou “Por que você não consegue ser como seu colega?”, a mensagem que a criança recebe é de que seu valor está sempre condicionado ao desempenho ou às habilidades do outro. Isso pode gerar uma sensação de inadequação e insegurança, fazendo com que ela passe a acreditar que nunca é suficiente ou que precisa competir constantemente para ser aceita e reconhecida.
Os efeitos desse tipo de comparação não se limitam à autoestima. Ela pode interferir na forma como a criança se relaciona com os irmãos e colegas, muitas vezes criando rivalidade, ciúme ou disputas desnecessárias. Enquanto algumas crianças se tornam mais retraídas ou ansiosas diante da sensação de não corresponder às expectativas, outras podem desenvolver um perfeccionismo excessivo ou medo de errar, tentando a todo custo manter a imagem de “a melhor” para receber aprovação. Em ambos os casos, a comparação interfere no desenvolvimento emocional saudável, afetando a autoconfiança e a capacidade de lidar com frustrações.
Além disso, a comparação ignora a singularidade de cada criança. Cada uma tem seu próprio ritmo de aprendizado, habilidades, interesses e formas de enfrentar desafios. Quando a atenção está constantemente voltada para o desempenho dos outros, a criança deixa de reconhecer suas próprias conquistas e qualidades, o que prejudica a construção de uma autoestima sólida e autêntica. Com o tempo, essa prática pode levar a sentimentos de inferioridade, autocrítica excessiva e dificuldade em valorizar suas próprias capacidades.
Para minimizar os efeitos negativos, é fundamental que pais, cuidadores e educadores aprendam a valorizar o esforço, o progresso e as características individuais de cada criança. Elogiar conquistas pessoais, incentivar o desenvolvimento de habilidades próprias, reforçar comportamentos positivos e reconhecer avanços, por menores que sejam, ajuda a criança a construir confiança e a enxergar seu próprio valor. Também é importante promover a cooperação e o respeito às diferenças, ao invés de criar um ambiente de competição constante.
Quando a criança aprende a se comparar apenas consigo mesma — observando seu progresso e celebrando suas vitórias — ela desenvolve autoestima saudável, resiliência e maior capacidade de enfrentar desafios. Além disso, tende a cultivar relações mais equilibradas e empáticas com irmãos e colegas, sem sentir que precisa ser melhor que o outro para ser amada ou valorizada. Portanto, a prática de evitar comparações e valorizar individualidades não apenas fortalece a autoestima infantil, mas contribui diretamente para o desenvolvimento emocional e social da criança ao longo da vida.
